Novas soluções ajudam no tratamento de hemangiomas
Uma doença que, até há alguns anos, pouco preocupava médicos e especialistas, está chamando a atenção e contando com o desenvolvimento de novos tratamentos e cuidados. Caracterizado por um tumor benigno dos vasos sanguíneos, o hemangioma é frequente em crianças (de três a cinco casos a cada cem nascimentos) e foi tratado, por muito tempo, como um problema de efeito passageiro, que desaparecia em pouco tempo. Entretanto, as sequelas, muitas vezes deixadas pela doença, motivaram o desenvolvimento de técnicas para remover ou minimizar os danos na vida adulta.
De acordo com o oncologista Marciano Anghinoni, do Centro de Oncologia do Paraná, a principal dificuldade para a definição da gravidade da doença é o fato de ela não ter um local específico. “Temos vasos sanguíneos por todo o corpo”, diz o médico, “dessa forma, a doença também pode estar presente em qualquer vaso”. Para ele, a gravidade do hemangioma depende, especialmente, de dois fatores: a localização e o tamanho do tumor – e como a doença pode atingir qualquer órgão, inclusive os músculos e ossos. Com isso os efeitos realmente não devem ser desconsiderados. Se não tratados de maneira correta, em tempo, os tumores podem deixar deformidades permanentes.
Os hemangiomas de pele são facilmente detectáveis com um exame físico do médico. Eles são manchas avermelhadas, elevadas ou planas, conhecidas como “manchas de nascença”. De acordo com o médico, as manchas não são dolorosas e atingem, principalmente, a região da cabeça e do pescoço. Já os hemangiomas internos causam sintomas variados, que dependem do órgão onde estão localizados. Sua descoberta é feita por meio de exames específicos. Anghinoni explica que o tumor pode se manifestar como uma dor abdominal, dificuldade para respirar, ou um comprometimento da visão, por exemplo, dependendo de qual for o seu local e tamanho.
Mesmo não sendo considerado uma forma de câncer, por se tratar de um tumor benigno, o hemangioma oferece riscos, caso não tratado na infância. Apesar disso, a transformação para um tumor maligno pode ocorrer, embora isso seja raro. Anghinoni explica que, há algum tempo, a recomendação médica era de “observar e esperar”. Hoje, essa postura diante da doença mudou e existem tratamentos, como a remoção cirúrgica do tumor, tratamento a laser, medicamentos, e a embolização, que é a obstrução dos vasos sanguíneos que nutrem o tumor.
Convivendo com a doença
Apesar de ser uma doença frequente na infância, o hemangioma não acontece exclusivamente em crianças. A terapeuta holística Lucila Specian, de 27 anos, descobriu o tumor em sua perna direita aos 19, quando sentiu dores após apoiar peso sobre a coxa. Procurando uma resposta para seu caso, recebeu diversos diagnósticos errados – incluindo alguns de tumores malignos – antes de confirmar o hemangioma.
Em sua vida cotidiana, teve de substituir alguns hobbys, como a dança e os exercícios físicos de impacto, por opções mais amenas. “Não me curei do hemangioma, pois, além de ser um tipo raro da doença, ele se desenvolveu em volta da minha safena e preferi não extraí-lo por medo de que apareça outro no mesmo local”, diz Lucila. Apesar disso, ela afirma que os tratamentos têm evoluído, com novos medicamentos e técnicas experimentais de sucesso. A terapeuta diz ainda que, por possuir um tipo raro de tumor, ela descobriu muito sobre a doença junto a seu médico vascular e seu oncologista, que sempre a alertaram sobre os riscos de sua condição.
O médico Marciano Anghinoni diz que a doença tem uma grande amplitude e que casos como o de Lucila são possíveis, ainda que em menor incidência do que em crianças. “Poderíamos falar sobre a doença por vinte páginas e ainda seria pouco para explicar o hemangioma” diz o oncologista. O que se sabe sobre o assunto, é que ele é levado mais à sério que antigamente. Muitos tumores desse tipo pequenos em adultos, que não provocam sintomas podem ser somente acompanhados, mas a conduta de antigamente, de apenas observar e esperar, para quase todos os hemangiomas, principalmente os da infância, definitivamente não é a melhor solução.
Publicado em 05 de Agosto de 2010 no site do Grupo Ita News
Reflexo branco no olho pode indicar tipo de câncer
Durante a infância, principalmente nos primeiros anos de vida, os pais adoram tirar fotos dos filhos para guardar como lembrança. O que poucos sabem é que uma simples imagem pode indicar algo muito mais grave.
Entre os principais sintomas do retinoblastoma, um tipo de câncer que atinge a retina das crianças, está o branqueamento da pupila do olho na presença de luz, como no caso do flash fotográfico.
A oncologista pediátrica do Centro de Oncologia do Paraná, Edna Kakitani Carboni, afirma que “o retinoblastoma é um tumor maligno originário de células neurais embrionárias da retina, região posterior do olho onde as imagens são detectadas e reproduzidas”.
Na maioria das vezes, é encontrado somente em um olho (unilateral), podendo, porém, aparecer nos dois (bilateral). Outros sintomas da doença são estrabismo (os olhos parecem ver em sentidos diferentes), glaucoma, olhos vermelhos, fotofobia, perda de apetite, cansaço, fraqueza, caroços na garganta, barriga ou embaixo do braço, e dores nas articulações e no corpo.
Caso a criança apresente sintomas, é necessário procurar um especialista para a realização dos exames e verificação do estágio da doença.
Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que o retinoblastoma é responsável por 3% dos tumores que atingem crianças. Edna destaca que “60 a 70% dos casos de retinoblastoma ocorrem em pacientes sem predisposição genética, são os chamados casos esporádicos. Cerca de 30% a 40% dos pacientes são portadores de uma mutação germinativa, genética, geralmente bilateral, que pode ser transmitida a futuras gerações”.
Publicado em 25/07/10 no site da Sercomtel
Alimentação Irregular pode causar Câncer
Além dos problemas que já conhecemos, os tumores de esôfago (adenocarcinoma) são exemplos de câncer que pode surgir decorrente da má alimentação diária.
Dados do 7º Simpósio de Câncer Gastrointestinal, em Orlando, nos Estados Unidos mostram que o número de incidência nestes casos é crescente. Como já era de se esperar, a incidência ocorre mais em regiões onde há maior número de população em sobrepeso.
Segundo Monica Stramare Pereira, oncologista e diretora do Centro de Oncologia do Paraná, participante do evento, o excesso de gordura e açúcar são alimentos que mais colaboram para esta realidade, pois estimulam o sobrepeso corporal e dentre outros problemas, causa refluxo, trazendo secreção ácida para o esôfago, que pode evoluir para um câncer.
As vítimas deste tipo de tumor apresentam sintomas de azia e dor na região, que pode evoluir para úlcera e por fim evoluindo para o câncer. Os tumores gástricos estão entre os mais recorrentes e com maior taxa de letalidade, segundo informações do Inca – Instituto Nacional do Câncer.
Portanto, cuidar da alimentação é também prevenir-se contra o câncer, uma das doenças que mais fatais da atualidade.
Publicado em 22/07/10 no site Dieta Light
Nova substância pode aumentar a sobrevida de pessoas com câncer de pele
Descoberta ainda não está à venda, mas é uma grande esperança para portadores do melanoma

Uma das mais recentes descobertas internacionais para o tratamento do câncer de pele foi discutida no 46º Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínicas (ASCO) em Chicago, nos Estados Unidos. Trata-se da dorga ipilimumabe, que age contra o melanoma – tipo de câncer que tem origem nas células produtoras de melanina e é o mais grave entre os tumores de pele, devido às grandes chances de metástase.
A descoberta é uma grande esperança já que, atualmente, há poucas drogas disponíveis para tratamento. “Os estudos detectaram que a droga ipilimumabe age como um imuno modulador, atuando diretamente nas células de defesa, otimizando a resposta imune”, explica o oncologista Ricardo Branco, do Centro de Oncologia do Paraná, um dos brasileiros que participou do congresso norte-americano. “Como tratamento, a substância ajudaria a controlar e até diminuir doença metastática, aumentando a sobrevida do paciente em até dois anos e alguns até mais, de acordo com os estudos apresentados”, completa o especialista.
Fabricado pelo laboratório Bristol-Myers Squibb, a nova droga ainda não tem previsão de ser comercializada, mas é uma grande esperança para os portadores do melanoma. Durante o evento foram demonstrados também os efeitos colaterais que a ipilimumabe pode causar, como colite inflamatória (inflamação do intestino) que provoca diarréia, sangramento e até perfuração do intestino, e a hipofisite, que reduz os índices alguns dos principais hormônios do organismo. “Mesmo com a apresentação destes efeitos colaterais, a droga tem grandes chances de chegar ao mercado em breve, pelos resultados obtidos no estudo e pelas poucas opções disponíveis para o tratamento do melanoma atualmente”, prevê Branco.
O melanoma avançado é tratado atualmente com quimioterapia endovenosa, porém com baixas taxas de resposta objetiva beirando 15% apenas. “Esta (ipilimumabe), sem dúvida, será uma grande aliada para o tratamento do melanoma”, completa.
Descobertas também na prevenção
Atitudes simples do cotidiano podem ajudar a prevenir doenças, como o câncer de pele. De acordo com um estudo feito pela Universidade de Oslo, na Noruega, tomar banho de sol é uma delas – mesmo que a radiação ultravioleta (UVR) seja um dos principais fatores para o aumento da incidência do melanoma. De acordo com os cientistas, o problema estaria na quantidade de tempo de exposição ao sol. Afinal, os raios solares podem estimular a produção de Vitamina D, mas sua superexposição pode provocar, em longo prazo, o câncer de pele.
“É importante saber os horários específicos em que a exposição do sol faz bem à saúde. O ideal seria de 15 a 30 minutos por dia, evitando os horários das 10h às 16h”, indica o oncologista Ricardo Branco. “Outra forma de obter a vitamina D está na ingestão de vegetais”, completa.
Publicado em 12/07/10 nos sites SIS Saúde, Conecte Pharma, Destak Rondônia, Plena Mulher
Falta de conhecimento prejudica tratamento de linfoma
Apesar da gravidade da doença, hematologistas apresentam boas novidades a quem sofre com esse tipo de câncer.

Especialistas afirmam que a doença deve ser levada a sério e com cuidado
Apesar de estar entre os cinco tipos mais comuns de câncer, o linfoma ainda é pouco conhecido, o que aumenta seu índice de fatalidade. De acordo com Rodrigo Bendlin, hematologista do Centro de Oncologia do Paraná, o fato da doença não atacar um membro específico do corpo e contar com muitos subtipos acaba por dificultar sua detecção.
O sistema linfático é responsável por distribuir e regular os fluídos corpóreos entre os tecidos do corpo. A parte mais ativa desse sistema pode ser dividida, basicamente, entre vasos e linfonodos, pequenos órgãos que filtram os líquidos e produzem anticorpos. E é nos linfonodos que o linfoma aparece, geralmente. Bendlin esclarece que o câncer causa um aumento não-doloroso desses órgãos, formando ínguas proeminentes que podem ser externas ou internas. Esses “caroços” costumam aparecer no pescoço, axilar e virilhas. Internamente, a incidência é maior no tórax e no abdômen.
Subtipos da doença
Apesar de ser relativamente pouco conhecido, o linfoma possui mais de 20 subcategorias, mais ou menos perigosas. De modo geral, estas subcategorias podem ser enquadradas em dois grandes grupos: os linfomas de Hodgkin e os Não-Hodgkin. Os de Hodgkin são caracterizados por uma célula específica, chamada célula de Reed-Sternberg. Já os linfomas Não-Hodgkin são mais graves, têm alto grau de malignidade e abrangem as outras categorias da doença. De acordo com a hematologista e oncologista pediatra Edna Carboni, esse é o tipo de apresenta crescimento mais acelerado.
De todas as subcategorias, o tipo mais perigoso é o linfoma de Burkitt. Como explica o médico, esse é um tipo de linfoma Não-Hodgkin que tem crescimento rápido e agressivo, chegando a duplicar de tamanho em 24 horas. Mais comum entre crianças, o subtipo foi detectado em 1958, com maior presença na África. Países emergentes, por sinal, são os locais que contam com maior incidência do linfoma de Hodgkin. A pediatra esclarece que a doença ataca majoritariamente crianças e adolescentes, de cinco a quinze anos, do sexo masculino.
Tratamentos
Apesar da gravidade da doença, os hematologistas apresentam boas novidades a quem sofre com linfoma. Segundo o especialista Bendlin, a expectativa de vida dos pacientes é de mais de 10 anos e os novos tratamentos têm entusiasmado profissionais da área. “Novas drogas estão surgindo, melhorando a eficácia da quimioterapia”, afirma o médico. O especialista ainda esclarece que, apesar de alguns tipos da doença serem incuráveis, outros têm até 95% de chances de recuperação. De modo geral, diz Bendlin, o tratamento é bem tolerado.
No caso das crianças, Edna Carboni afirma que o tratamento com elas é mais fácil do que nos adultos. Além disso, avanços e descobertas de novos meios de ação estão mudando a maneira de tratar os linfomas. A utilização de anticorpos manipulados é somente uma dessas novas maneiras, e se une à quimioterapia e à radioterapia na hora de combater o câncer.
Apesar dos avanços, entretanto, a doença ainda deve ser levada à sério e com cuidado. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o número de casos de linfoma Não-Hodgkin duplicou nos últimos 25 anos, especialmente entre a população idosa. A evolução dos tratamentos, desse modo, não diminui o perigo de uma fatalidade causada pela doença.
Publicado nos sites da Abril, Onco Guia, Oncopediatria e Portal de Oncologia Português
conhecido, o que aumenta seu índice de fatalidade. De acordo com Rodrigo Bendlin,
hematologista do Centro de Oncologia do Paraná, o fato da doença não atacar um
membro específico do corpo e contar com muitos subtipos acaba por dificultar sua
detecção.
O sistema linfático é responsável por distribuir e regular os fluídos corpóreos entre os
tecidos do corpo. A parte mais ativa desse sistema pode ser dividida, basicamente, entre
vasos e linfonodos, pequenos órgãos que filtram os líquidos e produzem anticorpos. E é
nos linfonodos que o linfoma aparece, geralmente.
Bendlin esclarece que o câncer causa um aumento não-doloroso desses órgãos,
formando ínguas proeminentes que podem ser externas ou internas. Esses “caroços”
costumam aparecer no pescoço, axilar e virilhas. Internamente, a incidência é maior no
tórax e no abdômen.
Subtipos da doença
Apesar de ser relativamente pouco conhecido, o linfoma possui mais de 20
subcategorias, mais ou menos perigosas. De modo geral, estas subcategorias podem ser
enquadradas em dois grandes grupos: os linfomas de Hodgkin e os Não-Hodgkin. Os de
Hodgkin são caracterizados por uma célula específica, chamada célula de Reed-
Sternberg. Já os linfomas Não-Hodgkin são mais graves, têm alto grau de malignidade e
abrangem as outras categorias da doença. De acordo com a hematologista e oncologista
pediatra Edna Carboni, esse é o tipo de apresenta crescimento mais acelerado.
De todas as subcategorias, o tipo mais perigoso é o linfoma de Burkitt. Como explica o
médico, esse é um tipo de linfoma Não-Hodgkin que tem crescimento rápido e
agressivo, chegando a duplicar de tamanho em 24 horas. Mais comum entre crianças, o
subtipo foi detectado em 1958, com maior presença na África. Países emergentes, por
sinal, são os locais que contam com maior incidência do linfoma de Hodgkin. A
pediatra esclarece que a doença ataca majoritariamente crianças e adolescentes, de cinco
a quinze anos, do sexo masculino.
Tratamentos
Apesar da gravidade da doença, os hematologistas apresentam boas novidades a quem
sofre com linfoma. Segundo o especialista Bendlin, a expectativa de vida dos pacientes
é de mais de 10 anos e os novos tratamentos têm entusiasmado profissionais da área.
“Novas drogas estão surgindo, melhorando a eficácia da quimioterapia”, afirma o
médico. O especialista ainda esclarece que, apesar de alguns tipos da doença serem
incuráveis, outros têm até 95% de chances de recuperação. De modo geral, diz Bendlin,
o tratamento é bem tolerado.
No caso das crianças, Edna Carboni afirma que o tratamento com elas é mais fácil do
que nos adultos. Além disso, avanços e descobertas de novos meios de ação estão
mudando a maneira de tratar os linfomas. A utilização de anticorpos manipulados é
somente uma dessas novas maneiras, e se une à quimioterapia e à radioterapia na hora
de combater o câncer.
Apesar dos avanços, entretanto, a doença ainda deve ser levada à sério e com cuidado.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o número de casos de
linfoma Não-Hodgkin duplicou nos últimos 25 anos, especialmente entre a população
idosa. A evolução dos tratamentos, desse modo, não diminui o perigo de uma fatalidade
causada pela doença.Apesar de estar entre os cinco tipos mais comuns de câncer, o linfoma ainda é pouco conhecido, o que aumenta seu índice de fatalidade. De acordo com Rodrigo Bendlin, hematologista do Centro de Oncologia do Paraná, o fato da doença não atacar um membro específico do corpo e contar com muitos subtipos acaba por dificultar sua detecção.
O sistema linfático é responsável por distribuir e regular os fluídos corpóreos entre os tecidos do corpo. A parte mais ativa desse sistema pode ser dividida, basicamente, entre vasos e linfonodos, pequenos órgãos que filtram os líquidos e produzem anticorpos. E é nos linfonodos que o linfoma aparece, geralmente.
Bendlin esclarece que o câncer causa um aumento não-doloroso esses órgãos, formando ínguas proeminentes que podem ser externas ou internas. Esses “caroços” costumam aparecer no pescoço, axilar e virilhas. Internamente, a incidência é maior no tórax e no abdômen.
Subtipos da doença
Apesar de ser relativamente pouco conhecido, o linfoma possui mais de 20 subcategorias, mais ou menos perigosas. De modo geral, estas subcategorias podem ser enquadradas em dois grandes grupos: os linfomas de Hodgkin e os Não-Hodgkin. Os de Hodgkin são caracterizados por uma célula específica, chamada célula de Reed-
Sternberg. Já os linfomas Não-Hodgkin são mais graves, têm alto grau de malignidade e abrangem as outras categorias da doença. De acordo com a hematologista e oncologista pediatra Edna Carboni, esse é o tipo de apresenta crescimento mais acelerado.
De todas as subcategorias, o tipo mais perigoso é o linfoma de Burkitt. Como explica o médico, esse é um tipo de linfoma Não-Hodgkin que tem crescimento rápido e agressivo, chegando a duplicar de tamanho em 24 horas. Mais comum entre crianças, o
subtipo foi detectado em 1958, com maior presença na África. Países emergentes, por sinal, são os locais que contam com maior incidência do linfoma de Hodgkin. A pediatra esclarece que a doença ataca majoritariamente crianças e adolescentes, de cinco a quinze anos, do sexo masculino.
Tratamentos
Apesar da gravidade da doença, os hematologistas apresentam boas novidades a quem sofre com linfoma. Segundo o especialista Bendlin, a expectativa de vida dos pacientes é de mais de 10 anos e os novos tratamentos têm entusiasmado profissionais da área. “Novas drogas estão surgindo, melhorando a eficácia da quimioterapia”, afirma o
médico. O especialista ainda esclarece que, apesar de alguns tipos da doença serem incuráveis, outros têm até 95% de chances de recuperação. De modo geral, diz Bendlin, o tratamento é bem tolerado.
No caso das crianças, Edna Carboni afirma que o tratamento com elas é mais fácil do que nos adultos. Além disso, avanços e descobertas de novos meios de ação estão mudando a maneira de tratar os linfomas. A utilização de anticorpos manipulados é
somente uma dessas novas maneiras, e se une à quimioterapia e à radioterapia na hora de combater o câncer.
Apesar dos avanços, entretanto, a doença ainda deve ser levada à sério e com cuidado. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o número de casos de linfoma Não-Hodgkin duplicou nos últimos 25 anos, especialmente entre a população idosa. A evolução dos tratamentos, desse modo, não diminui o perigo de uma fatalidade causada pela doença.
Cuidados extras na nutrição de pacientes de câncer
Independente do tipo do câncer, o tratamento é sempre delicado. Isso porque os pacientes ficam debilitados não somente por conta do esforço exigido pelo organismo para reagir à doença e aos tratamentos, mas também pela própria imunidade do organismo, que fica baixa e suscetível a infecções. Uma das consequências mais frequentes nos tratamentos do câncer é a desnutrição, decorrente da redução da ingestão de alimento, alterações metabólicas provocados pelo tumor e pelo aumento da demanda calórica pelo crescimento do tumor.
Para combater estes sintomas e evitar outras doenças, inclusive, muitos oncologistas indicam um tratamento multidisciplinar, que inclui, por exemplo, o acompanhamento do especialista em Nutrição. “A agressividade e a localização do tumor, os órgãos envolvidos, as condições clínicas, imunológicas e nutricionais impostas pela doença e magnitude na terapêutica são fatores que podem comprometer o estado nutricional do paciente, com graves implicações prognósticas e interferir diretamente no tratamento, seja ele cirúrgico, quimioterápico ou radioterápico”, explica a nutricionista do Centro de Oncologia do Paraná, Lislane Maria Dequech. “Desenvolvemos com todos os nossos pacientes um acompanhamento contínuo para proporcionar mais qualidade de vida e bem estar por meio da nutrição”, completa.
Nos casos em que faz parte do tratamento a quimioterapia, a Nutrição auxilia os pacientes com efeitos colaterais como mucosite, esofagite, diarreia, obstipação, nauseas, vômitos, alteração de paladar, saliva espessa e viscosa e boca seca. “Estes casos podem ser monitorados com uma nutrição oral adequada, podendo contar também com suplementos nutricionais e até auxílio de alimentação enteral”, explica Lislane que enfatiza ainda a importância de uma nutrição equilibrada. “Em alguns casos, se o paciente não tiver um acompanhamento nutricional adequado, a desnutrição pode levá-lo a óbito, mesmo com o câncer controlado”, completa.
Foi lançado em 2009 o Consenso Nacional de Nutrição Oncológica, onde durante 2007, 2008 e 2009 o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e 42 instituições representantes nacionais que promovem a assistência nutricional ao indivíduo com câncer, trabalharam para a elaboração do mesmo. Esta obra tem o objetivo de homogeneizar as condutas na assistência ao indivíduo com câncer. O Consenso contou com o apoio de Conselho Federal de Nutricionistas e sociedades representativas de classes relacionadas aos temas.
Em Curitiba, o Centro de Oncologia do Paraná, clínica especializada no tratamento do câncer, conta com atendimento integral de nutricionistas a seus pacientes. Sobre o Centro de Oncologia do Paraná – Clínica especializada no tratamento do câncer, o Centro de Oncologia do Paraná conta com um corpo médico qualificado e equipe multidisciplinar. Realiza consultas, procedimentos diagnósticos, tratamento quimioterápico e cirúrgico. Com foco na qualidade do atendimento, o centro oferece apartamentos individuais para a realização de quimioterapia equipados com banheiros, ar condicionado, internet wireless e televisão. Estacionamento anexo.
Em novembro de 2009 concluiu uma ampliação na sua sede de Curitiba visando, ainda mais, a excelência pelo atendimento. Além disso, implantou o Centro de Wellness, uma unidade de suporte ao paciente em tratamento oncológico com nutricionista, psicóloga, especialista no tratamento da dor e acupuntura. O Centro de Oncologia do PR conta com duas sedes, uma em Curitiba (Rua Saldanha Marinho, 2167) e outra em São José dos Pinhais (Rua Gal. Barreto Monclaro, 374).
Publicado em 07/07/10 no site Tem Cura
Quando a comida não cai bem
Refrigerantes, fast-food, acidulantes e alimentos em conserva são um risco para a saúde digestiva. Saiba como reduzir o perigo de problemas como gastrite e refluxo

O estudante Rodrigo Batista abusava dos lanches e frituras. Depois da gastrite, passou a comer mais saladas e frutas
Responda depressa: com a correria diária, você costuma ficar sem almoçar? Na hora das refeições, troca o arroz e feijão por coxinha, x-salada ou outro fast-food? Prefere refrigerante a um bom copo de água e nunca resiste a um doce de sobremesa? Então cuidado, você está na rota dos problemas digestivos. Es tudos recentes apontam que prisão de ventre, gastrite, úlcera, refluxo e má digestão estão relacionados mais à chamada dieta do homem moderno, composta de gordura, açúcar e ácidos em excesso, do que propriamente aos problemas fisiológicos.
“Nos últimos anos, reduziu o número de pessoas que almoçam em casa ou preparam suas refeições e assim acabam optando por alimentos mais práticos e, geralmente, mais gordurosos, como os pré-cozidos, enlatados ou mesmo os fast-foods”, diz Deborah Malta, coordenadora-geral do setor de Doenças e Agravos Não-transmissíveis do Ministério da Saúde. Segundo a especialista, esses alimentos têm pouco valor nutricional e são cheios de componentes venenosos para o organismo.
Ela se baseia em um estudo divulgado há pouco mais de um mês pelo Ministério, que comprova o que há muito se especulava: 76% dos adultos brasileiros bebem refrigerante ao menos uma vez na semana e 42% das crianças bebem todo dia. A bebida tem ácido e açúcar em excesso, o que pode levar à gastrite e refluxo. E mais: o leite com teor integral de gordura está na mesa de 58% dos brasileiros ao menos cinco vezes na semana. Enquanto isso, alimentos saudáveis como o feijão, rico em fibras e vitaminas, estão sendo menos consumidos – 65% dos brasileiros comem mais de cinco vezes por semana; em 2006, eram 71,9%.
Essa é a principal explicação para dados alarmantes da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Segundo um relatório de 2008, cerca de 35 milhões de pessoas sofrem de constipação intestinal (prisão de ventre) no Brasil – mais de um em cada cinco brasileiros. É a doença mais comum. Dispepsia (má digestão), gastrite, refluxo e úlcera também integram a lista das mais incidentes. De 2008 para cá, nenhum outro grande estudo foi realizado. Mas nos consultórios os médicos apontam que as coisas só pioraram.
O gastroenterologista Rodrigo Strobel, do Hospital das Nações, defende que, embora essas doenças sejam multifatoriais e dependam também de uma mãozinha da genética, a alimentação errada é o fator determinante para que aconteçam. “Antes não se atendiam tantos casos de refluxo, por exemplo. Hoje, com o país cheio de obesos, essa doença chega a ser responsável por 40% dos atendimentos em meu consultório”, diz.
O estudante Rodrigo Batista, de apenas 23 anos, representa bem esse novo perfil de alimentação. Quando entrou na faculdade, teve de conciliar o horário de estudos com o do trabalho. Faltou tempo para as refeições. “Passei a não comer nos horários em que deveria e substituí o arroz pelos lanches. Várias vezes comi apenas x-salada durante o dia. Outras vezes, acordava e fazia um macarrão instantâneo no lugar do café da manhã”, conta.
O resultado era de se esperar. O estudante desenvolveu gastrite. “Passei a sentir muita queimação e desconforto”, conta. Atualmente tem uma dieta cheia de frutas e verduras e sem nada de refrigerantes, temperos apimentados e condimentados, ou com gordura.
Para mudar o quadro, concordam os especialistas, é preciso uma dieta saudável, praticamente livre dos ingredientes inimigos. Confira as sugestões para evitar problemas como constipação intestinal, gastrite, úlcera, refluxo e dispepsia.
Constipação intestinal
Caso não seja um problema fisiológico – que exija cirurgia –, a popular prisão de ventre pode ser amenizada e até extinta com o aumento de consumo de fibras. Elas formam uma pasta no intestino, que facilita a passagem das fezes. Esses elementos são encontrados principalmente em verduras, frutas e grãos. Entre 25 e 30 gramas (duas maçãs, por exemplo) por dia bastam. Além disso, é preciso água. Muita água! Para os homens, 2,5 litros (12 a 13 copos por dia) e para mulheres dois litros (10 copos).
Para quem tem esse desconforto, é indicado fugir dos laxantes. Iogurtes e probióticos, por sua vez, são aliados. Retêm água no intestino e facilitam a evacuação.
Gastrite e úlcera
Ambas são causadas por uma bactéria que ataca a mucosa (revestimento) do estômago. Porém, para que ela aja, precisa de um ambiente propício para isso: com muita acidez.
Para fugir das doenças, é preciso redução drástica no consumo de alimentos excessivamente ácidos. Refrigerantes e sucos em pó, temperos de gosto acentuado, como cebola e alho, enlatados e embutidos costumam ter muito dessa característica. Evite-os. Prefira os alimentos frescos e com condimentos de gosto menos intenso. Saladas pouco temperadas, o tradicional arroz e feijão e alimentos ricos em vitamina A, C e E são as melhores opções para diminuir a acidez. Para beber, o melhor é água e sucos naturais – se forem cítricos, devem ser consumidos em menor quantidade, como dois copos por dia.
Refluxo gastrofágico
É a volta do bolo alimentar pelo esôfago, marcado por uma queimação (azia) na garganta. Assim como nas úlceras e gastrite, é a acidez estomacal que causa o desconforto. Porém, o grande vilão é a gordura. Segundo especialistas, o excesso de gordura abdominal é que enfraquece a válvula entre estômago e esôfago que regula a entrada e saída de alimentos.
Para evitar o refluxo, reduza o consumo diário de gorduras, principalmente animal. Mil calorias por dia deve ser o limite máximo – corresponde a um sanduíche fast food pequeno ou dois bifes fritos, por exemplo. Fuja das gorduras hidrogenadas, que não são dissipadas pelo organismo.
As bebidas alcoólicas também agem de forma negativa nessa região, apontam os gastroenterologistas. Reduzir seu consumo, assim como o de alimentos muito ácidos (incluindo café, chá preto e limonada suíça) são as medidas aconselhadas.
Dispepsia
É a má digestão – dificuldade do estômago em digerir um alimento ou a dor na hora dessa ação. Pode indicar a presença de uma outra doença, como a gastrite, úlcera e até mesmo câncer. Também pode ser resultado apenas de excesso de alimentação.
Para diminui-la, a recomendação é o uso de antiácidos (o recomendado é que não tenha ácido acetilsalicílico). Evite deitar-se. A melhor posição para facilitar a digestão é em pé ou inclinado (sentado com as costas encostadas em um travesseiro). Se a dor persistir, somente uma investigação médica será capaz de definir as suas causas.
Medicamentos: heróis ou vilões?
Se na hora de uma indigestão você recorre a um sal de frutas, ou nos momentos de dor e queimação não descarta o uso de anti-inflamatórios, saiba que essas atitudes podem agravar o seu desconforto digestivo. É que a maioria desses medicamentos tem ácido acetilsalicílico, que tende a se acumular no estômago. O resultado pode ser uma sensação de alívio, já que o componente ajuda a digerir o alimento que está causando a dor. A longo prazo, no entanto, pode resultar em mais dor e queimação.
O alerta é do gastroenterologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Mauro Lafaete. Ele afirma que não há soluções milagrosas para os problemas digestivos. “Tudo parte de uma readequação alimentar. No tratamento de gastrite, por exemplo, usamos medicamentos específicos dependendo do grau, agente causador e intensidade. Mas eles também precisam de uma dieta correta para surtirem o efeito desejado.”
Embora os problemas digestivos sejam tratados com seriedade e possam levar à morte ou a doenças ainda mais graves, como o câncer, os médicos concordam que o tratamento é simples e a cura possível, ainda que alguns casos sejam crônicos. “Hoje segue-se uma linha medicamentosa. Pratica mente não se tem intervenções mais agressivas. Exemplo disso são as cirurgias de úlcera, que eram comuns antigamente e agora não são mais”, diz o secretário-geral da Federação Brasileira de Gastroenterologia, Ricardo Barbuti.
As citadas úlceras, que antes eram as doenças com tratamento mais complexo, são hoje curadas com antibióticos que neutralizam o ataque da bactéria Helicobacter Pyroli (sua principal causadora), de acordo com o gastroenterologista.
Má alimentação aumenta casos de câncer

Alimentos fritos e gordurosos aumentam o peso corporal e o risco de refluxo, gastrite, úlcera e diversas outras doenças digestivas
A alimentação desregrada mostra seus efeitos também na incidência de doenças ainda mais graves, como o câncer. Os tumores de esôfago por adenocarcinoma – um tipo que há algumas décadas era incomum – são um triste exemplo. Ele atinge o canal que leva o alimento ao estômago. Pesquisas americanas apontam que as ocorrências cresceram cinco vezes nos últimos 30 anos nos Estados Unidos. No Reino Unido, a incidência desse câncer sobe 2% a cada ano. E a expectativa é de que continue nessa progressão.
Os dados foram apresentados no início do ano, durante o 7.º Simpósio de Câncer Gastrointes tinal, em Orlando, nos Estados Unidos. Uma das participantes do evento, a oncologista e diretora do Centro de Oncologia do Paraná, Monica Stramare Pereira, aponta que os cientistas relacionam o aumento à alimentação e estilo de vida modernos. “Cons tatou-se que isso tem ocorrido em regiões desenvolvidas e onde a população apresenta sobrepeso”, diz. O Brasil pode estar no mesmo caminho, alerta a profissional.
Alimentação
Segundo Mônica, o consumo excessivo de gordura e açúcar são os principais vilões dos tumores de esôfago. “Pessoas com essa dieta tendem a ultrapassar o peso ideal. Isso aumenta a pressão intra-abdominal e causa o refluxo. Essa secreção ácida irrita o esôfago e pode evoluir para um câncer”, explica. Ao sentir sinais de doenças relacionadas ao excesso de acidez nessa região, principalmente queimação, a oncologista indica uma consulta médica imediata.
A dona de casa Maria Terezinha Jardim é vítima desse tumor. Por anos, ela conviveu com sintomas de azia que iam da garganta ao estômago. “Tinha as dores, mas demorei para ir ao médico. Pensava que não era nada sério. Até que descobri, há alguns anos, estar com úlcera”, diz. Em fevereiro deste ano, uma notícia ainda mais alarmante. Ela foi diagnosticada com câncer de esôfago – segundo os médicos, uma evolução dos problemas anteriores. “Hoje procuro corrigir a alimentação para auxiliar no tratamento da doença. Mamão, leite desnatado e verduras são minha rotina.”
Campeões
Os tumores de esôfago somam-se a dois outros tipos também relacionados a má alimentação e com efeitos devastadores. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), os tumores de estômago e de intestino estão entre os cinco com maior taxa de letalidade em todo o mundo. O câncer de estômago (também chamado gástrico) é responsável pela morte anual de 1 milhão de pessoas. Já o de intestino (chamado cólon) faz 655 mil vítimas todos os anos.
Carlos Coelho, publicado em 07/07/10 no jornal Gazeta do Povo
Alerta sob lençóis
Estudo recente comprova a relação entre sexo oral e câncer de boca. Mais do que nunca, o uso da camisinha é indispensável

Ninguém duvida que fumar e beber em demasia fazem mal à saúde, mas quem poderia pensar que o sexo oral também contribui para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer? A afirmação partiu de um estudo publicado na conceituada revista inglesa de medicina British Medical Journal, que relaciona esta prática sexual com o câncer de boca, orofaringe e esôfago cervical – cujos principais fatores de risco, até então, eram atribuídos ao tabagismo e etilismo. Agora, um dos maiores vilões na gênese do câncer bucal é o Papilomavírus Humano (HPV), também transmitido durante as relações sexuais.
De acordo com o professor e ginecologista do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Leonel Curcio, existem 130 tipos diferentes de HPV. Destes, 45 comprometem o trato genital inferior, sendo 15 considerados de alto risco. “Eles são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero, e atualmente estão sendo detectados em 80% dos cânceres de boca e oreofaringe”, afirma.
O HPV é relativamente comum no organismo humano. Sessenta por cento da população sexualmente ativa tem ou terá o vírus em alguma fase da vida. Mas nem todos os casos se desenvolvem em células cancerígenas. “O que pode evoluir para um câncer é quando há persistência do vírus de alto risco por mais de um ano e a pessoa infectada tem baixa imunidade. A grande maioria dos casos de HPV regride sozinha, sem maiores complicações”, explica o ginecologista.
O especialista em cancerologia Raphael Semchechen Filho, do Centro de Oncologia do Paraná, afirma que a incidência de cânceres de boca é maior em homens a partir de 50 anos, mas hoje já se percebe um aumento dos casos em mulheres e em pessoas com 35, 40 anos, que não fumam ou bebem, o que confirma a correlação entre a doença e o sexo oral. Semchechen Filho conta que o vírus do HPV na região bucal se apresenta como lesões ulceradas que não curam por um período que supera três semanas. “A pessoa sente ardência ao comer algo quente ou temperado, além de dor, sangramento e, em estágio mais avançado, malcheiro decorrente da proliferação de bactérias. O vírus, uma vez infectado, é potencialmente cancerígeno, especialmente se a imunidade da pessoa estiver deficiente, pois encontrará condições mais favoráveis para se desenvolver”, explica.
De acordo com o médico, o diagnóstico da doença é simples e pode ser feito até mesmo em uma visita ao dentista. A menos que o nódulo canceroso esteja sob a mucosa bucal e não desenvolva as feridas. “Neste caso, o problema pode se manifestar de formas diferentes, como uma dor de ouvido.” A boa notícia é que, se o diagnóstico for precoce, a cura é de mais de 90% dos pacientes.
Mudança de hábito
Leonel Curcio percebe que nos últimos anos houve uma “desmistificação das fontes de prazer”, com mais pessoas fazendo sexo oral do que antes, o que pode explicar a maior presença do HPV como agente causador de tumores bucais. Segundo dados do Centro Nacional de Estatísticas da Saúde dos EUA, mais da metade dos jovens norte-americanos entre 15 e 19 anos experimentaram a modalidade – entre os virgens, um em cada quatro adolescentes já fizeram sexo oral. O problema é que, de acordo com o ginecologista do Hospital de Clínicas, a grande maioria das pessoas não usa preservativo. “Na fase de ‘ficar’ é mais comum do que depois que os casais começam a namorar, pois deixam de se proteger quando adquirem maior confiabilidade”, opina. Curcio avisa que, além do HPV, doenças como a aids, herpes, gonorreia e infecções bacterianas também são transmitidas via sexo oral.
Proteção
Ainda não existe maneira mais eficaz do que a camisinha para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis. Àqueles que reclamam do gosto do látex durante o sexo oral, a marca Prudence lançou os primeiros preservativos do país com aroma e sabor agradáveis ao paladar, nas versões morango, uva, tutti-frutti, hortelã e chocolate. Apesar de menos popular, a camisinha feminina também é recomendada, já que o HPV é um vírus transmitido pelo contato, segundo o ginecologista. Além do uso de preservativo, Curcio explica que a fidelidade é outro fator importante para diminuir a incidência de HPV. “Quanto maior o número de parceiros sexuais, mais chances de a pessoa ser contagiada. Quem teve seis parceiros ao longo da vida tem em torno de oito vezes mais riscos de contrair o vírus”, exemplifica.
Mariana Sanchez, matéria publicada em 25/07/10 no jornal Gazeta do Povo



















